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Para relembrar...

Carta aberta a Fábio Jr.

« Enquanto não  atravessarmos  a dor da  nossa  própria solidão,  continuaremos  a nos buscar  em outras metades. Para viver a dois, antes,  é necessário ser um. » - Fernando Pessoa. Fábio, você tem ideia do que você fez? Você tem ideia de quantas milhares de pessoas estão infelizes por sua causa? Está bem, eu sei que é um peso muito grande para você carregar, mas você devia ter pensado nisso antes. Eu gostava tanto de você, sabia? Sei lá se você é afinado o bastante, mas como a única coisa que eu entendo de música é que eu gosto quando me faz sentir viva, você serviu. Passei minha infância inteira te ouvindo por milhares de quilômetros no banco de trás do carro e em tardes passadas no quintal. Passei minha adolescência inteira te ouvindo cantando lá na sala durante os jantares que meus pais faziam para os amigos. Passei minha vida adulta inteira acordando com você me perturbando domingos de manhã (muit...
Postagens recentes

Sobreviventes somos nós.

Eu conheci a Amanda no salão. Por acaso. Queria unhas novas, liguei na recepção e pedi “a melhor”. Me deram ela. E ela era mesmo a melhor. Amanda é aquelas mulheres completas. Amanda perdeu a mãe muito cedo e foi criada pelo pai. Ela tem mais ou menos a minha idade e uma filha adolescente com já mais ou menos a metade. Na filha tem a melhor amiga. No pai, o melhor. Amanda é linda, divertida, inteligente. Cuida da sua carreira, faz cursos, se especializa. Meio manicure, meio podóloga, meio enfermeira e inteira em tudo que ela faz. A filha e o pai. Duas pessoas que eu só conheço pelos olhos e pelas palavras da própria Amanda. E como praticamente tudo que ela emite, a descrição deles é cheia de luz. Raíssa, a filha. Adolescente. 16 anos. Melhor amiga da mãe. Bem criada. Cheia dos valores, da doçura e da espontaneidade da Amanda. Responsável. Independente para a pouca idade. Seu João. Pai jovem. Pai que foi mãe e pai e que criou a Amanda (e a ...

Livre o suficiente. [Parte 1].

Espelho de Vênus. Feminino. O símbolo. Ame. Sorria. Ou chore. Fale alto. Ou baixinho. Ou sussurre. Gargalhe. Use azul. Ou rosa.  Use mini saia. Ou moletom. Corte o cabelo. Ou tenha cabelos longos. Ou faça dreads. Fale palavrões. Ou recite poesias. Seja princesa. Ou super herói. Brinque de bola. Ou de boneca. Não tenha filhos. Ou tenha sete.  Trabalhe. Para garantir o futuro. Ou para pagar por seus desejos. Seja forte. E não se envergonhe de fraquejar. Estude. Estude mais até entender quanto há a se aprender. Tenha orgasmos. Ou seja virgem.  Seja solteira. Se case. Ou se divorcie. Viaje o mundo. E continue viajando.  Perdoe os homens que te desrespeitaram ao longo da vida. Fale bem de outras mulheres. E no final, continue sendo livre o suficiente para fazer o que quiser.

O carnaval que nunca acabou

23 de fevereiro. E eu ainda fico puta por você ter ido quando eu tinha 10 kgs a mais e o nariz maior e, portanto, nossas fotos não são tão "foda". Mas sobretudo ainda sinto vivamente a sensação do carnaval se aproximando. Meu corpo responde claramente à Globeleza na Tv, aos anúncios do carnaval de Salvador e às cores e sons dos blocos de rua. É uma mistura maluca de gatilhos que me lembram ora dos últimos dias em que eu vivi tendo você, ora dos primeiros segundos e dias que eu vivi depois de te perder. Mas eu sigo insistindo que sou melhor agora. Não há quebra não seguida de reconstrução, não há dor não seguida de maior compaixão, não há perda não seguida de maior gratidão. Meu mundo é diferente depois de ter perdido você. Meus carnavais também. Mas amo mais a vida, me preocupo bem menos com o futuro, aproveito os detalhes do percurso, sorrio muito, respeito o outro ao máximo, me coloco no lugar das pessoas, amo descontroladamente, não desisto de ser melhor. Endureci um pouc...

E se der medo...

O cara é foda, é o homem que toda mulher sonha em ter como melhor amigo, amante ou companheiro. Inteligente. Engraçado. Bonito. Vaidoso. O padre-celebridade é uma das poucas pessoas que não me deixa desconfortável ao falar de religião, que desmistifica comportamentos e padrões de uma igreja que parou no tempo (no MEU ponto de vista). Solidário. Bem-sucedido. Consciente. Humilde. Carrega uma responsabilidade infinita no que faz. E foi diagnosticado com síndrome do pânico. Quando eu vi o Padre Fábio de Melo trazendo a público esta condição eu pensei: - Puts. Foi para televisão, se expôs e falou. Falou e colocou umas milhões de pessoas (sim, esta estatística traz nas costas muitas milhões de pessoas) para se reconhecer naquelas palavras. A sensação de morte; o medo do medo; escravo do medo. E não para por ai. É o ar faltando. É o coração batendo no peito. É nada parando no estômago. É o cérebro de algodão. É o pavor. Outra palavra não serviria tão bem: é o pânico. Quando ...

Naquele altar.

E quando eu te vi naquele altar perdi o ar. Tudo girou. Tive vontade de vomitar. Meu coração parou. Tudo isso por três infinitos segundos. Você estava no altar e não era eu indo na sua direção. Teria pensado que ainda era amor. Mas acho que foi um ataque epilético do coração. É que amor não tira o ar, mas enche os pulmões com uma respiração profunda, tipo suspiro. Amor não faz tudo girar, mas altera a velocidade da rotação da terra. Amor não dá vontade de vomitar, mas dá fome de amanhã, apetite do para sempre. Amor definitivamente não faz o coração parar, mas disparar, em um ritmo bonito e suave de alguma trilha sonora antiga que nos dizia que o amor aparece mesmo onde ninguém ousaria supor. E quanto eu te vi naquele altar eu entendi que não é mais amor. Aí eu quis saber. Será que já foi? Será que fui livrada como em outras tantas vezes? Será que a gente aconteceu predestinado desde o início a não ser? Será que aquilo de achar que determinávamos o que aconteceria ...

Brownie fit (por favor, não)!

Eu não escolhi a minha intensidade, a personalidade inquieta, o cérebro acelerado, que só descansa diante de uma criança, de pão de queijo, de um bom livro ou de um bom amor. Preciso de entender tudo que eu toco, quero que tudo que eu encoste queime de frio ou calor. Tenho evidentemente uma ânsia para sentir a vida acontecendo em tudo aquilo que me compõe ou cerca. Meus momentos, são vividos sempre - se não como se fossem os últimos - como se fossem os únicos. Intensidade. Tem um preço. Sou normalmente guiada por um tempo que não acompanha o relógio. Durante a minha vida me doei a tudo que eu fiz? Sim. Coloquei o máximo de energia em toda experiência? Sim. Isso muitas vezes nos leva a caminhar mais rápido que nossos passos aguentam, tropeçar e cair? Às vezes. Isso quer dizer que alguma coisa poderia não ter sido feita para evitar as pequenas tragédias da vida? Não necessariamente. A gente entra aí mais ou menos no campo daquele clichê, do qual dificilmente as pessoas esc...

Desculpa, então, Luiz Otávio.

Fim de tarde. Desci para fazer um lanche. O livro de leis em uma mão, o cartão do banco na outra. Assentei nas mesas da rede de sanduíches que fica embaixo do escritório. Juro que eu estava comendo um salgado fit comprado na padaria ali perto, mas as mesinhas me pareceram um bom lugar para assentar. Somos uma geração movida a grandes tragédias. Tanta informação, tanta preocupação, tantos projetos para serem realizados ao mesmo tempo, tantas relações para gerir, tanta satisfação para dar, tantas metas para não se estabelecer e quando forem alcançadas serem dobradas, que a gente só reage na marra. Só nos preocupamos com o meio ambiente quando estamos diante do maior desastre natural ocorrido em nosso país, só nos preocupamos com as nossas mulheres quando há um estupro coletivo realizado por dezenas de “caras”, só nos preocupamos com o terrorismo quando ele acontece em um lugar balado na cidade Luz ou quando um avião com civis é derrubado, só nos preocupamos com imigração quand...