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Um jeito de levar a vida.


Sempre se espera muito do outro. Sempre esperam muito de mim. Sou a primeira da fila sempre ali, a me observar. A achar que eu podia ser melhor. É isso que costumar vir à minha cabeça: podia ter me saído melhor. O trabalho, a prova, o conselho. Como filha, amiga, namorada. Como pessoa. Eu acredito nas pessoas, mas o ser humano é muito imperfeito. É mesquinho, egoísta. Sente inveja, luxúria. É fútil, leviano. Eu também sou humana. Também tenho sentimentos com os quais, digo, contra os quais luto constantemente. Sempre esperando ser melhor. Como os outros esperam. Mas e se eu não puder? E se não conseguir? E se minhas imperfeições não permitirem que eu seja tudo aquilo que sonho, quero, preciso ser. Esta imperfeição não é só minha. A aflição também não deveria ser. Quantas vezes você já parou para pensar se é tudo aquilo que finge ser, que acredita ser? Mesmo não sendo. Autoconhecimento é a palavra da minha vida. E assusta. Me conhecer tanto assusta. É que nem sempre ao me olhar assisto o que quero. Tem que ter muito equilíbrio para enxergar que cada um de nós é um ser humano tão falível quanto o colega da mesa ao lado, da cadeira ao lado, da casa ao lado. Quem nunca teve a sensação de estar estragando tudo? De ter colocado tudo a perder? De ter ocupado tempo demais com as coisas ou pessoas erradas? Conheço poucas pessoas preocupadas em se conhecer e se entender. Poucas e, em certa medida, eu diria até que azaradas. Autoconhecimento é o máximo, mas tem um preço. Nem sempre sei se vale. Se olhar no espelho e ver além do corte de cabelo, da cor do batom ou da maquiagem custa caro. Todo olhar é uma janela. Por trás de todo olhar tem uma alma, uma vida. Por trás de toda vida tem um ser imperfeito, com defeitos. Meu espelho me mostra isso. E se olhar bem o seu também vai mostrar. Quem se olha e gosta demais do que vê está olhando sem enxergar, lendo sem interpretar, vivendo sem aprender. Quem me conhece já me ouviu dizer que eu me aceito imperfeita, e me perdoei assim, como Martha às suas impurezas. E me aceito mesmo. Só não nego que por vezes acho o fardo pesado. Não faço tipo. Me mostro o que eu sou. É o que tem para hoje, então toma. Goste ou não. E pago o preço por me aceitar. Por dar a cara a tapa. Por assumir as conseqüências. E é uma droga que quem deposite as maiores expectativas sobre mim ainda seja eu mesma. E que nem sempre possa superá-las. Esperam que eu seja a melhor. E nem sempre eu vou poder ser. Mas é assim que eu vou viver. Pra ser melhor. Porque viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida.

Comentários

  1. Se aceitar é o que importa. Sempre.

    "Seja vc, mesmo que seja bizarro!" rs

    Bjss

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