Pular para o conteúdo principal

A sensação é a mesma...

A sensação é a mesma. A de que não era pra ser assim. Mas é.!

Era para ser só mais um final de semana... Fins de semana vem cheios de sensações boas...É como se fosse mais uma etapinha cumprida. Tarefas, prazos, metas. Encerram-se. Para começar tudo outra vez na segunda-feira.

Sábado foi um dia importante. Comemorando a vitória de um grande amigo. E aí vem o domingo. 13 de setembro de 2009. De céu azul, de vento gostoso, de café da manhã com a família e com o amor, de paz no coração, de, de.. de notícia ruim...

E lá vamos nós. Era para ser só mais um domingo, mas não foi.

E a semana começou mais carregada e pesada do que deveria.

Parque da Colina na manhã de segunda-feira. Estar ali ao lado de grandes amigos, sentindo uma dor que eu sei qual é me faz reviver um milhão de sensações ruins. E hoje eu não vou falar das minhas perdas, mas das impressões que eu tenho em dias assim..

Então...é isso aí..funciona mais ou menos assim... mais uma despedida...ou melhor, mais uma despedida não feita...

Quando se vai alguém a gente logo pensa: “eu nem bem me despedi”... ainda bem que não..despedidas são tristes demais para serem desejadas...a maior dificuldade da morte e a melhor facilidade dela, é que é surpresa...

Poxa..imagina se não fosse..imagina viver sabendo a hora do final? Que graça ia ter, que desespero, que agonia..viver em contagem regressiva..

A todos nós foram concedidas duas prerrogativas..

Uma delas, a certeza...

Eta..CERTEZA.. palavrinha que só a morte dá significado completo...A morte é única coisa certa na vida. Certeza. Eternidade. Pra sempre. Só há garantia de que nossa partida para outro plano é definitiva. Nada mais. Nenhuma outra certeza, nenhuma outra garantia..a não ser esta...

A outra prerrogativa é a SURPRESA, o não saber.. mesmo tendo certeza, mesmo sendo tão seguro de que ela vem.. o não saber é essencial..

A vida é agora, a vida é hoje..vivida sem hora pra acabar, sem previsão de final, no improviso, no de repente... Se a gente soubesse a hora da morte não ia ter graça a vida... É que planejar, prometer, programar é viver...E viver é a única coisa até agora que dá sentido a esta tal morte.

Morte... falar dela é normalmente um tabu.. porque sempre dá a sensação de que se desfez a ordem natural da coisas... Causa sensações ruins, normalmente um desconforto, um constrangimento, um não saber bem o que dizer. Não entendo. Ou entendo até. Eu aprendi à duras penas, que a vida não é aqui.. a gente devia chorar quando as pessoas nascem e sorrir quando elas vão embora.

Enquanto a gente não enxergar isso aqui como uma passagem, vai doer..

TÁ!...eu acredito no que estou escrevendo.. o discurso é legal, no fundo todo mundo sabe disso...mas na prática.. poxa...na prática a gente só quer quem a gente ama perto... e quer, quer um querer maior que a gente mesmo, quer uma vontade do tamanho do infinito que esmaga o coração e quer...

Mas na vida a gente não tem o quer..a gente tem o que precisa.. e quem sabe das nossas necessidades mais íntimas e profundas é só Ele, Deus.

Aí não adianta revoltar, indignar..não há lágrimas derramadas que desviem os fatos do caminho que Deus traçou... e Ele não nos desejou a dor..mas nos predestinou ao crescimento, ao amadurecimento, à evolução...

Mas só quem perde é que sabe... se despedaça algo sólido e concreto demais. Questionamos nossa fé, nossa força. Buscamos respostas para perguntas que não tem. Encontramos respostas para perguntas que jamais fizemos. Não há opção, não há livre escolha. O caminho é a reconstrução. De si mesmo. Descobre-se sua própria fé, sua própria religião.

E a perda jamais será entendida, mas será aceita.

A volta para casa é silenciosa, esquisita. Na segunda-feira eu sai do Parque da Colina e fui para o trabalho. Deixei solidariedade, uma dor compartilhada, um vazio no peito, um nós na garganta, carinho a todos. Minha vida continuou dali. A vida da família, não! A porta que se fecha nas costas deles, nunca mais se abre igual.

É mais ou menos isso.. Minhas impressões sobre este dia. Não é minha visão mais completa, não é sequer minha visão mais racional e transparente, que em outra ocasião eu ainda espero dividir. Mas com certeza é minha descrição mais fiel do cenário daquele início de semana.

E também dói em mim.

...............

A verdade é que a morte é uma piada.

E não parece justa.

Foi Pedro Bial quem muito bem disse:

“MORRER. Como assim? A troco de que? Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo... Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.”

Estes dias, eu uso para pensar, para reavaliar...para me confirmar em busca dos meus propósitos..de ser diariamente uma pessoa melhor..

Meus objetivos enquanto SER..enquanto SER HUMANA vêm sendo realizados..tudo a partir da morte, da perda...Reflitamos. Sobre o que vale a pena...sobre o que merece nosso tempo, nosso investimento.. sobre o que fazer diariamente para ser um ser humano melhor, para ver o mundo melhor, para fazer alguém mais feliz. Sobre o valor que tem se dado as pessoas, sobre o carinho dispensado a elas, sobre a doçura na suas palavras.

Quando se perde alguém, se vai um pedaço de nós mesmos. Daí o caminho é a reconstrução, a mudança de paradigmas. As coisas nunca mais serão as mesmas, mas serão eternamente e diferentemente especiais. Sim. Especiais. A vida de quem fica estará marcada por antes e depois de uma perda. Nada mais vai ser igual, mas isso não quer dizer que as coisas não serão boas.

Sempre há uma missão a ser cumprida, sempre há algo a ser feito, sempre estamos destinados ou pré-destinados a fazer alguma coisa, a mudar o que não é certo. E quando cada um se deitar a cabeça no travesseiro e pensar que a missão está cumprida, chegada estará a sua hora.

“A vida da gente não é medida em distância e sim em largura. Não importa viver 80 anos sem nada, o que vale, são os 20, 30 bem vividos, com a vida cheia, larga..” Foi o Cast. que me disse isso quando meu irmão se foi. E sabe, mesmo sem entender isso muito bem na época, hoje eu garanto que funciona, que é verdade, que minha vida é mais leve do que sempre foi, que eu entendo que a vida do meu irmão valeu por uma vida inteira. Com certeza a do Pedro também.

Eu sei...que serão muitos planos não concretizados, muitos sonhos não realizados... eu sei que serão muitas promessas não cumpridas, e que muitos momentos farão menos sentido sem ele. Mas eu digo e repito, com segurança, que ele nunca esteve tão presente nesses momentos, como a partir de agora.

A morte ainda é a melhor forma de alcançar a vida eterna.

São estas minhas impressões...por hoje, são...

Beijos a todos.

E a sensação ainda é a mesma. A de que não era pra ser assim. Mas é.!

Comentários

  1. linda
    a gente pensa parecido sim..
    bom, vc sabe que to sempre aqui né..nao mais tao perto...mas nem longe o suficiente para nao encontrar!!

    beijos linda...
    ah
    e Ele não nos desejou a dor..mas nos predestinou ao crescimento, ao amadurecimento, à evolução...

    falou e disse.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Estrela no teto.

O quarto do meu irmão virou o quarto de computador. Foi melhor assim. Mudar as coisas de lugar diminui a estranheza de não tê-lo mais aqui. O armário, aos poucos, foi esvaziado e dele, guarda apenas uma ou outra camiseta preferida. A cama mudou de lugar. O computador veio para cá. Um mural de fotos, uns livros, outra cor na parede. Pronto. Algumas mudanças. Necessárias. Algo aqui, algo ali foi mantido igual. Melhor assim também. A mudança desconstrói umas sensações que não são boas para se viver todo dia. E os detalhes preservados mantêm aquelas sensações sem as quais não seríamos capazes de viver. Cada qual com sua função: a mudança e os detalhes. Hoje estava aqui, esperando baixar um arquivo e dei uma espreguiçadinha, estiquei, balancei os cabelos e olhei pra cima. Tudo automático, coisa que se faz todo dia. No teto deste quarto em que já estive por tantos anos, vi, pequenininha, esquecidinha, já pintada da cor nova do teto, uma estrelinha. Sim, uma estrelinha. Lembra daqueles adesi...

Eu não sei tirar as pessoas da minha vida..

Eu não sei tirar as pessoas da minha vida, não mesmo. Nunca soube. E tenho pena de quem sabe. Não importa a categoria. Amigas, amigos, namorados, colegas de trabalho, qualquer coisa. É que eu não entendo esta história de ‘em um dia a gente é feliz, se diverte juntos, troca uns segredos, divide a mesa do bar, a conta e a intimidade’ e no outro... ‘no outro não..no outro aquela pessoa até então querida se torna um ‘ex’ qualquer coisa’. De repente ‘fulano ERA meu amigo’, ‘eu ERA apaixonada por ciclano’ e ‘já FUI melhor amiga daquela outra’. Socorro. Não sei dizer se é defeito ou qualidade. Sei dizer que o que eu puder fazer para manter as pessoas na minha vida eu faço. Não sou nenhuma boba ambulante que faz questão de quem não faça questão de mim. Não é isso não. Sou movida a calor, a amor, a carinho. Celebre por me ter na sua vida e eu celebrarei por te ter na minha. Outro dia disse isso a um amigo: Eu não preciso das pessoas e nem quero que elas precisem de mim. Eu preciso é de que elas...

Dias bons de ser feliz.

Seria mais uma sábado qualquer. Mas amanheceu um dia desses que fazem gosto levantar da cama. Abrir todas as janelas da casa. Ficar olhando pro céu e deixar o vento passar. Sem pensar em muita coisa. Dia bom de ser feliz. Calor. Passei o dia estudando, de frente para o computador. Mas a vista da janela lateral me lembrou a cada segundo de sentir aquela sensação boa de dias lindos. Vontade de colocar um vestido curto. Esvoaçante. E sair por aí distribuindo uns sorrisos gratuitos. Sozinha em casa. Hora de dar a comida dos meus bebês. Dei, troquei água. Liguei a mangueira para molhar o jardim de papai. Molhei. O dia lindo ao meu redor. Thor e Lilico brincando por ali. Um andando atrás de mim e me observando com um olharzinho de quem me ama; o outro com meu chinelo tentando me fazer brincar de pega-pega que ele adora. Eu, de short jeans, camiseta e chinelo (só em um pé, o outro na boca do Thor) e a água gelada caindo nos meus pés. Sem raciocinar muito o que estava fazendo me molhei também...